A felicidade dos gatos
É um sábado como qualquer outro e estou sentado na varanda da minha casa, assistindo ao sol se por sobre a cidade. Meu gato, que está deitado ao meu lado, acaba de se levantar e vem se aconchegar junto à minha perna. Nós passamos o dia assim, ele sonhando com coisas desconhecidas e eu sonhando com o dia de hoje.
Nem sempre é fácil viver com um gato, especialmente aqueles que são um pouco mais... exigentes. No entanto, eu descobri que a felicidade deles me faz feliz.
Quando eu retiro a comida do frigorífico e estou para colocá-la sobre a bancada, ele começa a dar saltos para cima, como se estivesse fazendo um acrobata em plena arena. Eu sussurro com a minha voz, 'Desculpe, menino, a comida ainda não está pronta.' E ele responde com um olhar de reprovação que é tão intenso que eu me sinto constrangido.
Porém, é nesses momentos que eu me lembro do porquê eu decidi me tornar tutor de gatos. Eu cresci em uma família de catadores, meus avós sempre cuidavam de gatos que estavam em situações de risco e os deixavam em casa comigo, então eu também me acostumava de cuidar com eles. A primeira vez que eu encontrei um gato era uma garota peluda com uma gola branca em torno de seu pescoço, que ela me chamou como a sua 'rainha'. Ela me ensinou que gatos podem ter um lado mais vulnerável e um coração que é tão macio como neve.
Os gatos são como filhos para nós
- Como meus gatos são pequenos demais para subir a escada, quando eu quero deixar eles no quintal para que possam brincar no sol ou se exercitar e dormir sob a árvore, eu tenho que os pegar e carregá-los por mim e de volta pela casa novamente. Nesse processo, eles se acostumaram a me seguirem e a me olhar com um olhar curioso por onde eu quero ir; como um garoto segurando as mãos dos seus pais.
- Outra coisa que eu admiro em gatos é como eles são capazes de lidar com o estresse do cotidiano, como eu. Quase todos os dias, eu passo pelo estrangulamento dos trâmites burocráticos para resolver a minha vida pessoal e profissional, com tanta pressão que eu até já comecei a sentir a dor de cabeça. Contudo, os gatos não parecem se importar com esse drama. Com suas patas macias tocando o chão duro e a sua visão aguçada de coisas que eu não vi. Isso os fez terem um estado imenso de equilíbrio e tranquilidade.
- Por exemplo: quando eu saio pela manhã e estou para deixar meu gato no quintal, ele olha em volta pelo local e não se esquece do prédio onde ele mora. Isso me lembra da minha infância quando eu me apaixonava por uma colega mais velha, com o tempo, a minha infância cresceu e ela também ficou maior, logo a amizade virou namoro, e com o tempo a vida nos levou a nos mudarmos para outras cidades para construir nossas carreiras e famílias, mas ainda assim a minha mente segue em sua direção e a imagem delas ainda se faz bem na minha mente.
De gatos que não sabem brincar
Em contrapartida, também tem gatos com os quais a minha relação foi um pouco... complicada. Em especial aquela vez que eu havia comprado um gato novo para a minha família, apenas para descobrir que ele não sabia brincar. Era como se ele estivesse completamente perdido na minha frente, a pata trêmula e tentando não errar o objetivo que eu estivesse tentando me entregar. Eu me alegrei em vê-lo fazer sua primeira caminhada na frente do quintal por um tempo, enquanto eu estava tentando ajudá-lo a caminhar. E foi um prazer que se repetiu algumas vezes mais tarde, quando eu o levei novamente para o quintal em uma área menos exposta, de onde não fosse fácil para outros animais perceberem que ele era ainda um iniciante.
No entanto, com o tempo e o amor, mesmo aqueles gatos que começavam de forma difícil, logo fizeram parte da minha vida.
Um adeus de gato
Em algum lugar ao longo do tempo, eu me dei conta de que os gatos não são apenas bichos de estimação, mas uma verdadeira extensão da minha família. E eu não poderia estar mais agradecido por ter feito a escolha de me tornar tutor de gatos. E, para o meu gato, agradecimento especial por ter feito a minha vida mais rica e cheia de amor.
E eu não poderei mais escrever um artigo de experiências sobre o meu gato, mas espero que outras histórias de vida que eu possa viver e escrever em futuro possam trazerem também outras experiências de outros cuidadores com animais que eles resgataram em seus dias de infância. Isso me faz lembrar quando uma das minhas avós contou que uma vizinha sua havia abandonado dois gatinhos de rua, a ela chamada de gato e ela os deixou em sua casa com um rato. Com a sua ajuda, os gatinhos foram viver em uma casa onde eles foram morar e que era feita de papelão, teto de arame farpado e telhas de madeira